Varejo paulista fatura 6,9% menos e a conversão de vendas em loja física depende de quem atende

A conversão de vendas em loja física virou o indicador central do comércio paulista, com o faturamento real do setor em queda de 6,9%. O levantamento da FecomercioSP aponta R$ 122,1 bilhões movimentados e retração de 5,1%, o equivalente a R$ 25,9 bilhões a menos no caixa.

A queda atinge quase todos os segmentos do comércio paulista, de supermercados a vestuário e materiais de construção. Quando o fluxo de visitantes encolhe, o resultado da loja passa a depender de quantas pessoas saem com o produto.

O que este artigo aborda:

Como está o faturamento do comércio varejista paulista?

O faturamento real do varejo paulista recuou 6,9%, com R$ 122,1 bilhões movimentados, segundo a FecomercioSP.

O dado vem da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista, levantamento que a entidade produz com a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. A retração alcança 5,1%, o equivalente a R$ 25,9 bilhões a menos no caixa do comércio paulista.

O recuo no faturamento do varejo no Estado de São Paulo aparece em quase toda a lista de segmentos apurados:

  • Eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamento: queda de 30,1%
  • Supermercados: queda de 7,7%
  • Vestuário, tecidos e calçados: queda de 7,6%
  • Materiais de construção: queda de 7,5%
  • Concessionárias de veículos: alta de 8,3%

Só o segmento de veículos escapou da retração.

Para o restante do comércio paulista, o volume caiu junto com o número de pessoas dispostas a fechar a compra, e a conversão de vendas em loja física ganhou peso no resultado.

Por que a conversão de vendas em loja física pesa mais quando o consumo desacelera?

O lojista deixa de compensar a perda de vendas com volume de visitantes e passa a depender do aproveitamento de cada atendimento.

A taxa de conversão da loja mede quantos visitantes saem com o produto. Quando o consumo desacelera, o número de pessoas que entram diminui, e o lojista que mantém o mesmo aproveitamento vende menos. Elevar a conversão dentro do ponto de venda passa a ser o caminho que não depende de atrair mais gente.

O cálculo é direto. Uma loja que recebe o mesmo fluxo e converte um ponto percentual a mais fecha mais vendas sem gastar nada a mais em divulgação.

A mudança de indicador reorganiza a rotina do salão. O lojista deixa de perguntar quantas pessoas passaram pela porta e passa a perguntar o que aconteceu com quem entrou.

O que o varejo mede dentro da loja e o que fica de fora da conta?

O varejo mede o fluxo com sensores e trata a conversão de vendas em loja física como tema de tecnologia e layout.

Contadores de fluxo na entrada, mapas de circulação e vitrines desenhadas por especialistas descrevem o que acontece no salão. Plataformas de pagamento reduzem o atrito no caixa, e o ERP conecta o estoque da loja ao canal digital. Cada ferramenta cobre uma etapa do percurso do cliente.

Nenhuma dessas ferramentas descreve o que acontece na conversa entre o visitante e o caixa. Sensor de fluxo responde quantas pessoas entraram. O motivo pelo qual elas saíram sem comprar fica fora do relatório.

A variável que sobra entre o visitante e o caixa é a pessoa que atende no salão, e o preparo dela para conduzir uma conversa comercial raramente aparece nos indicadores acompanhados pelo lojista.

Qual o papel de quem atende no fechamento da venda?

Quem atende conduz a conversa que decide a conversão de vendas em loja física, etapa que nenhuma tecnologia de ponto de venda substitui.

Pedro Sirius é fundador da SalesLab, empresa de Curitiba que forma closers e SDRs, os profissionais que compõem a mão de obra comercial das operações de venda. Closer é quem conduz a etapa final da negociação, e SDR é quem faz o contato inicial com o possível comprador.

Para o fundador, o corte de custos costuma poupar a etapa que decide a venda: “Loja com movimento e sem gente preparada é loja que perde a venda no balcão.”

Pedro Sirius afirma: “Existe uma diferença entre colocar alguém dentro da loja e ter alguém que sabe conduzir uma conversa comercial. Não dá para terceirizar o coração da empresa: quem vende precisa ser formado para vender, dentro da própria operação.”

O ponto do executivo separa presença de preparo. Ter gente no salão resolve a cobertura do horário, e conduzir uma conversa comercial exige método que se aprende dentro da operação.

Preparar quem atende vale mais do que investir em tecnologia de loja?

As duas frentes resolvem problemas distintos, e a tecnologia de loja para de render quando o gargalo está na conversa do salão.

Contador de fluxo, vitrine e meio de pagamento atacam o que acontece antes e depois do atendimento. Sensor mostra onde o cliente parou, e o caixa rápido reduz o atrito no fechamento. Nenhum desses recursos decide o que a pessoa do salão fala quando o cliente pergunta se vale a pena levar.

A prioridade muda conforme o diagnóstico. Loja com fluxo alto e conversão baixa tem problema de atendimento. Loja com fluxo baixo e conversão alta tem problema de atração.

O preparo de quem atende também tem limite.

Equipe treinada não corrige mix de produto errado nem estoque vazio, e o lojista que trata o salão como única alavanca ignora o resto da operação.

O que a experiência no ponto de venda revela sobre a decisão de compra?

Parte relevante da compra no salão nasce de uma decisão tomada dentro da loja, durante o atendimento.

Estudo da eMarketer indica que 31,5% dos visitantes compram por impulso ao descobrir um produto na loja. O número aparece em análise da CNDL sobre a loja física como hub de experiências. Quase um terço das vendas do salão nasce de uma descoberta feita dentro do estabelecimento.

A descoberta depende de alguém conduzir o cliente até ela, e é aí que a conversão de vendas em loja física se decide.

Levantamento da ZipDo, também reunido pela CNDL, mostra que 73% dos consumidores consideram a experiência fator decisivo na compra. A experiência que decide a compra é, na prática, a conversa que o cliente tem no balcão.

Para o comércio paulista, elevar a conversão de vendas em loja física depende menos de atrair mais gente e mais do preparo de quem recebe quem já entrou pela porta.

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